“Fui o primeiro infectado na família, em março. Sentia uma dor tão forte que não dava para tocar no corpo. Fui internado. Em seguida foi minha mulher, Cristiane, que nunca sentiu sintoma algum. Meu irmão foi o terceiro e teve poucos sinais. Eles só foram atrás de ajuda médica depois de acompanharem o meu caso. Fomos medicados com três remédios, incluindo a cloroquina, logo no início. Deu certo.”
O tratamento aos primeiros sinais não seria alvo de celeuma não fosse ele ancorado na cloroquina. Mas é. Aclamado quase por unanimidade no início da pandemia, o medicamento recebeu o aval da FDA, a rigorosa agência americana de aprovação de substâncias, para tratar a Covid-19 em caráter emergencial. Em junho, a autorização foi suspensa com a justificativa de que “o medicamento apresenta riscos, sem nenhum benefício aparente”. Em seguida, a Organização Mundial da Saúde interrompeu o uso da cloroquina em seus testes, depois de levantamentos minuciosos não demonstrarem sucesso garantido. E, no entanto, caminho oposto foi traçado pela prestigiosa revista científica The Lancet. Em maio, o periódico divulgou um trabalho que refutou os benefícios para a Covid-19. Um mês depois tirou a pesquisa do ar, a pedido dos autores, sob o argumento de que eles não podiam mais “garantir a veracidade das fontes de dados primárias”. A medicação ganhou antipatia de parcelas de cidadãos à esquerda ao ser defendida ardorosamente pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou ter tomado o remédio profilaticamente, como faria depois Bolsonaro. E, para bagunçar o coreto, convém lembrar que a cloroquina foi amplamente defendida por Nicolás Maduro na Venezuela. O melhor a fazer, portanto, como recomendam os médicos, é subtraí-la de toda conotação partidária. A cloroquina não deve ser levada ao palanque. No Brasil, cerca de 3 milhões de comprimidos foram distribuídos no país, fabricados pela Fundação Oswaldo Cruz e pelo Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército.
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